Depois da viagem ao século XIX que os alunos do 11.º ano de Assessoria Jurídica e Documentação (AJ), de Línguas e Relações Empresariais (LR) e de Património e Turismo (PT) fizeram no passado dia 9 de janeiro, certamente que o estudo de "Amor de Perdição" na disciplina de Português se vai tornar mais interessante e dinâmico.
Na verdade, esta visita guiada à casa de Camilo Castelo Branco, planeada e posta em prática pelo Grupo Disciplinar de Línguas Românicas, não poderia ter vindo em melhor altura. Os alunos do 11.º ano dos cursos de Humanidades que começam agora o seu estudo sobre a corrente literária do Ultrarromantismo vão ter o seu conhecimento enriquecido por esta experiência que lhes deu a oportunidade de experimentar o "locus horrendus" da casa que tanto inspirou Camilo nos seus romances e novelas - a paisagem agreste e rural e o gosto pela noite (personificação da morte).
Relativamente à atividade extracurricular propriamente dita, as turmas foram divididas em dois grupos, sendo que um deles, orientado pelo professor Pedro Figueiredo, foi ver o documentário “Camilo e Outras Vozes” no auditório do Centro de Estudos Camilianos, antes de partir para uma breve visita à casa do escritor. Enquanto isso, as turmas LR e PT, acompanhadas pelos professores Lígia Campos e Fernando Carvalho, participaram numa "tour" mais aprofundada da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco. Ainda que não tenham tido a hipótese de ver o documentário como os seus colegas, ficaram igualmente elucidados sobre as condições em que viviam o escritor e a sua família, bem como as suas histórias de vida - desde o adultério de Camilo e Ana Plácido, o processo legal desencadeado por Pinheiro Alves (seu esposo), passando pela doença mental de Jorge (fruto desta longa relação entre o par romântico) até ao suicídio do autor de "Memórias do Cárcere" por motivos de cegueira.
A destacar estão ainda as divisões mais importantes da casa de Camilo - o escritório onde concebeu a maior parte da sua obra e a sala onde deu um fim à sua vida - e as histórias que os guias contaram sobre este grande homem (não em tamanho, mas em espírito e talento) - o seu sentido de humor, o seu espírito crítico, os seus hábitos tão comuns quanto os nossos e o seu idioleto (com demonstrações concretas dos seus poemas e de excertos das suas obras em prosa).
Em suma, esta foi uma viagem inteiramente pedagógica (já que levou os alunos a aprenderem mais sobre a história da literatura nacional e sobre Camilo). Também, não deixou de ser muito agradável sob o prisma do entretenimento.
Redação das alunas Marisa Carvalho e Ana Barbosa, do11.º LR
Fotografia das alunas Catarina Lima e Joana Tavares, do 11.º PT